A viagem no tempo, a nostalgia, a candura bronca do modo
de vida dos pescadores antigos, a autoridade submissa
das mulheres na metade do século 20, a ausência de
facilidades tecnológicas, enfim, vários são os aspectos
que tornam a leitura de "Mampituba", uma narrativa doce,
amável, venturosa, envolvente, entusiástica, dramática e
empolgante.
Poderia ser uma história, como também poderia ser uma
fábula. É a construção (ou reconstrução), de um mundo
onde as pessoas viviam, conviviam e repartiam, sonhos,
ilusões, segredos, vontades, desejos... Vida.
Um mundo que pode parecer nunca ter existido, pois
amizade, amor abnegado, sinceridade, honestidade,
bravura, são virtudes que, hoje, muitas vezes, só nos é
possível na ficção.
Mas acima de tudo, "Mampituba" é uma romance de amor.
Amor que não permite trapacear. Que não é subjugado pelo
ciúme. Amor que inicia e se encerra nele mesmo. Que
resiste ao tempo. Que pode passar despercebido, mas que
nunca será vencido.
Essa história de amor pode parecer incrível, mas é
exatamente por isso que nos leva a crer que pode ser
verdadeira. Porque é assim que todos queremos amar. É
assim que as relações podem durar.
O amor de Herculano e Helena não existe mais. Existiu,
sim, num tempo em que os valores eram como escamas de
peixe. Só se podiam desprender se arrancados após à
morte.
Por certo o mundo seria melhor se, apesar da evolução e
modernização, as pessoas pudessem conservar valores como
os que podemos encontrar nesta saga de amor. Estamos
carentes de "herculanos" e "helenas".
Xixo
Murara
Jornalista e Escritor
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