Antônio Natálio Vignale
Livro Mampituba

 

Prefácio

A viagem no tempo, a nostalgia, a candura bronca do modo de vida dos pescadores antigos, a autoridade submissa das mulheres na metade do século 20, a ausência de facilidades tecnológicas, enfim, vários são os aspectos que tornam a leitura de "Mampituba", uma narrativa doce, amável, venturosa, envolvente, entusiástica, dramática e empolgante.
Poderia ser uma história, como também poderia ser uma fábula. É a construção (ou reconstrução), de um mundo onde as pessoas viviam, conviviam e repartiam, sonhos, ilusões, segredos, vontades, desejos... Vida.
Um mundo que pode parecer nunca ter existido, pois amizade, amor abnegado, sinceridade, honestidade, bravura, são virtudes que, hoje, muitas vezes, só nos é possível na ficção.
Mas acima de tudo, "Mampituba" é uma romance de amor. Amor que não permite trapacear. Que não é subjugado pelo ciúme. Amor que inicia e se encerra nele mesmo. Que resiste ao tempo. Que pode passar despercebido, mas que nunca será vencido.
Essa história de amor pode parecer incrível, mas é exatamente por isso que nos leva a crer que pode ser verdadeira. Porque é assim que todos queremos amar. É assim que as relações podem durar.
O amor de Herculano e Helena não existe mais. Existiu, sim, num tempo em que os valores eram como escamas de peixe. Só se podiam desprender se arrancados após à morte.
Por certo o mundo seria melhor se, apesar da evolução e modernização, as pessoas pudessem conservar valores como os que podemos encontrar nesta saga de amor. Estamos carentes de "herculanos" e "helenas".

Xixo Murara
Jornalista e Escritor

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