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João Frederico Hofstatter Trott ( Fredy)
Nasceu em 06.01.59, às margens da Lagoa dos Patos, em Tapes (RS).
Aos 15 anos ingressou no quadro de funcionários do Banco do Brasil como "menor estagiário", efetivando-se na instituição, por concurso público, em 1977. No final de 1982, transferiu-se para a cidade de Lagarto (SE), tendo ali permanecido até abril de 1985, quando foi removido para Sombrio (SC), onde reside até hoje.
Graduado em Ciências Contábeis pela Fundasul, (Camaquã-RS), se formou no ano passado em Direito na Ulbra (Torres-RS).
Exerceu atividades docentes no colégio cenecista Laudelino Freire (Lagarto-SE) e no Instituto Educacional Madre Elisa Savoldi (Sombrio-SC). 
Durante três anos foi co-produtor/apresentador de um programa sobre Música Popular Brasileira na rádio Tapense. 
Participou, em 1987, de concurso a nível estadual, patrocinado pela AABB de Blumenau (SC) e que resultou no livro "Poesia: lucidez ou fantasia?", na qual teve dois poemas incluídos. 
Em 1988, tomou parte em novo concurso, dessa vez promovido pela AABB de Recife (PE), a nível nacional, tendo sido um dos escolhidos para a publicação decorrente do evento. 
Há quase onze anos "aquerenciado" em Sombrio, Fredy incorporou-se à vida da cidade onde, além de suas funções no BB, tem participado de atividades nas áreas sócio-político-culturais. 


SERENATA

Quase vem já a alva
Sua estrela já desponta
Espalha-se o aroma da malva
Nos campos, de ponta a ponta. 

A lua, de madrugada,
E infeliz quem não viu
Eu piso a relva molhada,
Tão molhada de rocio.

Por fim, chego a janela.
Lá dentro, minh' amada sonha
Sonha que ainda é mais bela
Sobre bordada fronha. 

Da viola tomo, então,
E dela brotam, cristalinas,
Notas cheias de paixão
Como de uma fonte divina.

Amar e sofrer nesta vida:
Eis minha sina, deu-ma Deus.
Vinha o sol, veio a despedida
E lágrimas na canção do adeus. 


ACALANTO

Dorme, dona do silêncio
Que eu fico a teu lado
Velando teu sono descuidado.

Dorme tranquila, moça louca
Que eu escuto
O que diz tua muda boca. 

Dorme, senhora impudica
Que, mesmo coberta, desnuda fica
Tua carne pecadora.

Dorme que, como se um sonho fora, 
O que vai dentro de ti perscruto
Mergulhado em pensamento néscio. 


BAGAGEM

Um homem e sua pasta
Vão vagando nas ruas:
Seguem em frente,
Dobram à esquerda,
Param diante das pontes. 

Um homem e sua pasta
São vistos pelos passantes
Como um indivíduo estranho
Que carrega estranha bagagem
Que pode ser seu destino. 

Enquanto a lua se esconde
Por trás da nuvem errante,
Enquanto que todos vivem
Suas pequenas-grandes vidas,
Passam quase desapercebidos
Um homem e sua pasta
Ambos cheios de sonhos. 


TRISTEZA

Quando das ruas me evado
Quando de meu céu o sol apago
Em escura caverna peno meu fado
Todos os pecados que cometi pago.

Quando a cantar prefiro estar mudo
Quando meu sorrir faz-se amuado
E porque cansou-me tudo
E a vida alegria não me dá - só desagrado ...

E, assim, quedo-me triste e só
Consumindo minh'alma na desgraça
Curtindo na minha sorte o dissabor

Mas não desejo que me tenham dó
Ou que me queiram fazer ver da noite a cor
Porque a dor como vem passa. 
  ALUMBRAMENTO

Tua luz vem da rua
E eu não posso deixar de a ela me expôr
Mais clara do que a lua
Muito mais linda em sua cor. 

Teu silêncio se introduz nesta casa
E mais parece uma canção
Forma um lago de água rasa
Que banha meu coração. 

Será dos olhos a invulgar claridade?
Será da boca semelhante música?
Será mentira ou realidade

O alumbramento que me fica?
De que vale tanto supor:
Tudo se explica no amor. 


MINHA CASA

Tenho uma casa
Com uma janela aberta ao vento.
Noutra, vejo o movimento
Da rua, onde não passa ninguém. 

Tenho uma casa que fica
No mais alto de uma colina
Que a fiz assim tão alta
Na esperança de que me viesse
Beijar uma estrela. 

Tenho uma casa 
Com sótão e porão
Onde guardo uma gaita e um violão
Que os fantasmas costumam tocar
Nas noites de chuva.

Tenho uma casa,
Mas não sei onde ela fica
Que cor é ou quem a habita
Que é uma casa encantada
Que vive iluminada
Pelos vaga-lumes. 


FIGURA LINDA

A tarde finda bem devagar
E tua figura linda a atravessar
A rua movimentada
Busca a outra margem,
Ou busca o nada?

Atarantada, passadas largas,
Serão amargas as palavras
Que no coração cavas
E que tua doce boca balbucia?

Vais - como diria ...? - endiabrada!
Dentro desse angélico corpo branco
Que à lua - que já desponta - 
Rouba a alvura.

A noite bem devagar
Tua figura linda sumiu no mar
Das pessoas que se vão pela calçada,
Na outra margem. Buscam o nada?


LEMBRANÇA

Vago trato de carícia
Que me destes por minúcia 
Lembro do que disseste
Como afagasse pelúcia.... 

Direitos reservados ao autor João Frederico Hofstatter Trott (Fredy)

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