Ben Harper joga para a sua torcida
Espetáculo congestionou os acessos ao Norte da Ilha no sábado
DORVA REZENDE |
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Com o número 10 da camisa da Seleção Brasileira às costas, Ben Harper jogou para
a torcida e, com naturalidade e competência, produziu o que muitas vezes os
ronaldinhos da vida se esquecem de fazer: a felicidade da platéia.
Sim, porque o público que foi assisti-lo na madrugada de sábado para domingo,
numa badalada casa de espetáculos no Norte da Ilha de Santa Catarina, merecia
mesmo ser muito bem tratado. Isso porque, para a maioria, foi extremamente
difícil chegar até lá, tal a quantidade de carros parados nos engarrafamentos
que tomaram conta das principais vias de acesso da região. Sorte teve quem foi
cedo para lá, pelo menos umas cinco horas antes de Harper entrar no palco, pouco
depois da 1h da manhã.
Donavon Frankenreiter, o guitarrista bigodudo da Califórnia, já havia deixado a
platéia em ponto de bala, com seu rock zen-surfista estilo Jack Johnson e os
hits que já havia apresentado há dois anos, na Lagoa, como Free e It Don't
Matter. Era apenas o indicativo do que estava por vir.
Ben Harper abriu seu show, sentado numa poltrona e tocando no colo o velho
violão Weissenborn, com dois hits do disco que o tornou conhecido mundialmente,
Ground on Down e Gold to Me, do álbum Fight for Your Mind, de 1995. Depois de
apresentar seus parceiros da banda The Innocent Criminals (o gordão baixista
Juan Nelson, o percussionista Leon Mobley, o tecladista Jason Yates, o soberbo
baterista Oliver Charles e o guitarrista Michael Ward), ele atacou com uma longa
versão cheia de improvisos de Serve Your Soul, do álbum duplo mais recente, Both
Sides of the Gun.
Depois vieram mais hits para alegrar a galera, como Burn to Shine, With My Own
Two Hands, Forgiven, Steal My Kisses e a enfumaçada Burn One Down, ocasião em
que boa parte da platéia resolveu fazer o mesmo que a letra sugeria. Os momentos
mais calmos do show foram com a melancólica e belíssima Morning Yearning e, no
primeiro bis, só com Harper e o violão com as baladas Another Lonely Day e Walk
Away.
No segundo bis, Harper voltou com a banda para tocar a canção dos enamorados,
Sexual Healing, de Marvin Gaye, e chamou para ficar junto da banda os sortudos
que acompanharam o show do palco (Guga Kuerten e a namorada Letícia, entre
eles). Donavon retornou para tocar e cantar com ele a magistral Diamonds on the
Inside.
Importante influência na música de Bem, o reggae e seus mentores foram
devidamente homenageados com Get Up, Stand Up, da dupla Bob Marley e Peter Tosh.
No final, uma longa e batucada interpretação de Better Way, com Harper se
esforçando para incutir na rapaziada (alguns nem tanto assim) a possibilidade de
dias melhores.
Homem de poucas palavras, antes de deixar o palco, fez questão de dizer que
estava feliz por tocar no Brasil.
- Em todos os lugares que fizemos shows nesta turnê, como na Austrália, Nova
Zelândia e Escandinávia, sempre havia no meio do público uma bandeira no Brasil.
Obrigado por sua música, estamos muito felizes de poder tocar aqui.
Nós é que agradecemos, senhor Harper, nós é que agradecemos.
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