Qual a relação entre Educação e Informática?
Porém, não é simplesmente instalando máquinas que a "escola: especial ou não" estará contribuindo para a educação de seus cidadãos. É preciso estabelecer algumas condições necessárias para que o computador se torne este instrumento valioso na formação do aluno:

1) O computador deverá ser utilizado como um instrumento auxiliar para o desenvolvimento integral do sujeito, e não apenas como armazém de informações disponíveis .

2) O computador é uma máquina que estende os poderes da inteligência humana, logo deverá ser utilizado como um instrumento para o próprio sujeito ampliar seu potencial intelectual.

3) O computador deverá ser utilizado como um instrumento capaz de auxiliar na mudança do ensino, entrando no sistema educacional para alimentar o processo de aprendizagem.

4) O computador deverá ser um instrumento social, permitindo a interação entre indivíduos, grupos e mesmo encurtando distâncias, possibilitando, assim, a troca entre grupos distantes no espaço e no tempo, favorecendo o aproveitamento imediato de múltiplas experiências. (Bossuet,1985).

O computador por si não atende ao objetivo de formar o "homem social" com que sonha a humanidade, o que formará o homem será a maneira como ele utilizará a máquina. Por isso, é preciso que os objetivos do uso de computadores na educação em geral e na educação especial siga uma filosofia educacional mais ampla que justifique sua aplicação.

Abordaremos o uso de computadores na educação a partir de uma perspectiva construtivista-interacionista. Desta forma, o computador deve ser usado como um instrumento de aprendizagem, onde o aluno atua e participa do seu processo de construção de conhecimentos de forma ativa, interagindo com o instrumento de aprendizagem.

A partir dessas perspectivas o computador poderá assumir o lugar de aprendiz, deixando para o aluno o lugar de professor. Assim, o indivíduo vai aprender com seus próprios ensinamentos e descobertas. O aluno adquire conhecimentos a respeito de seu próprio pensamento, possibilitando que construa de melhor forma sua aprendizagem.

No nosso enfoque, é a informática que deve ser posta a serviço da educação e não o contrário. Não acreditamos que é à educação que cabe facilitar a entrada da informática no currículo, como muitos acreditam, e sim, é à informática que cabe auxiliar os processos educativos: é a máquina a serviço do bem estar do homem e não este um escravo dela.

Seguem alguns exemplos dos objetivos que podemos alcançar a partir do uso da informática na educação especial:

A - Promover a auto-estima. B - Levar a criança a experimentar o sucesso. C - Valorizar o erro como etapa necessária para o desenvolvimento humano. D - Permitir que a criança construa seu próprio projeto refletindo suas vivências. E - Apoiar o desenvolvimento cognitivo. F - Promover o pensar sobre o próprio pensar. G - Ampliar a capacidade de aprendizagem respeitando o ritmo da criança. H - Desenvolver a criatividade. I - Desenvolver a autonomia. J - Desenvolver o trabalho cooperativo. K - Usar o computador para objetivos determinados. L - Facilitar a integração interdisciplinar. M - Desenvolver a linguagem.

É importante ressaltar que estes objetivos foram elaborados sob um referencial psicopedagógico, onde podemos observar o sujeito de forma global em suas múltiplas facetas. 

Para podermos observar melhor estes objetivos, vamos encaixá-los na tabela nº. 01.

ENFOQUE PSICOPEDAGÓGICO - ASPECTOS DA APRENDIZAGEM
  Linguagem
Emocional
Cognitivo
Orgânico
Social
Pedagógico
- A B C D
- E F G H
- G
- I J
- L M

Observação: no quadro está sendo usada a letra correspondente ao lado de cada objetivo relacionado anteriormente. Podemos observar na tabela nº.01 que os objetivos foram separados por aspectos da aprendizagem. Esta separação é meramente didática, servindo-se de base no que é mais observável de cada objetivo em questão. 

Para sermos mais coerentes com a nossa proposta psicopedagógica, os objetivos deveriam vir expressos de outra forma, num outro gráfico. Vamos tomar emprestado um gráfico de Maria Lúcia Weiss (1992,p.10) para expressarmos melhor como se encaixam os objetivos relacionados anteriormente na nossa proposta.

Como se pode observar na tabela nº.02, não separamos a linguagem como um aspecto da aprendizagem, pois ela perpassa todos os aspectos: social, orgânico, pedagógico, emocional e cognitivo. É o uso da linguagem que determina, transforma o pensamento do indivíduo que, junto com a ação, constrói seus conceitos, crenças, sua aprendizagem (Vygotsky,1979).

Como já havíamos dito, não é o uso da máquina simplesmente que fará com que estes objetivos sejam alcançados; é antes de tudo, a postura educacional frente ao computador. É o facilitador trabalhando com seus alunos que criará condições para que estas objetivos sejam alcançados. Isto nos leva o outra questão: a formação do professor. 

De nada adianta possuirmos computadores de última geração e programas moderníssimo se não sabemos como utilizá-los. O professor precisa ser reciclado e iniciado na informática educativa para que possa utilizá-la como um instrumento de ensino-aprendizagem. Será desta forma que o computador poderá ajudar ao professor a se tornar um orientador do processo de aprendizagem, podendo dispor de meios para atender aos alunos de forma diversificada de acordo com suas necessidades.

Acreditamos que o computador seja uma ferramenta de aprendizagem importante na educação, pois oferece um suporte, uma infra-estrutura para que se possa realizar coisas que em outros instrumentos não poderiam.

Autor: Sueli de Abreu Mesquita
Psicopedagoga, Professora e Diretora
CnotInfor Brasil