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 O NEOCLÁSSICO

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A ARTE NEOCLÁSSICA OU ACADÊMICA

Chama-se neoclassicismo ou academismo o estilo que substituirá o rococó, como expressão dominante nas artes européias nos fins do século XVIII e princípios do XIX.
O seu período de predomínio se estende de 1780 a 1830. Com as suas características próprias, começa a prevalecer desde 1780 sobre a graciosidade e decorativismo do rococó, então em voga, para em 1830 passar por sua vez a ser substituído por novas formas estilísticas, que receberão a denominação de romantismo. Se o rococó havia sido, como acentuamos, expressão artística dos interesses, dos hábitos e da mentalidade da aristocracia, em plena decomposição e desaparecimento como casse dirigente da sociedade européia, o novo estilo, isto é, o neoclassicismo ou academismo, expressará os interesses, a mentalidade e os hábitos da burguesia manufatureira e mercantilista, que assumirá a direção da sociedade européia com a Revolução Francesa e o império de Napoleão, justamente quando se definem e culminam as suas formas. Em breve tempo, pela crescente velocidade do processo histórico e social, a burguesia manufatureira e mercantilista iniciará o seu estágio industrial e capitalista, que produzirá as primeiras manifestações da Arte Moderna, a começar com o impressionismo na pintura e os indícios de funcionalismo na arquitetura.
As denominações de neoclassicismo ou academismo tem a sua razão de ser. Chama-se neoclassicismo porque o novo estilo representa, na verdade, a restauração das artes da antigüidade clássica greco-romana, como acontecera na Renascença. Chama-se academismo porque os princípios estéticos em que se baseava a restauração das formas do classicismo greco-romano, transformados em métodos e processos didáticos, passaram a ser adotados nas academias de arte oficiais existentes na Europa e nas que foram sendo fundadas nos países americanos, inclusive no Brasil, com a vinda da Missão Artística de 1816, mandada buscar em Paris por D. João VI e composta de artistas neoclássicos, para instituir o ensino oficial das artes em nossa terra.
Compreenderemos melhor a natureza do novo estilo passando os olhos, mesmo rapidamente, pela estética neoclássica, produto natural do idealismo filosófico do século XVIII. A estética neoclássica teve como principal teórico, no campo das artes plásticas, o historiador de arte alemão Joachin Winckelmann (1717-1768). Escreveu vários livros, Reflexões sobre a Imitação das Obras Gregas na Escultura e Pintura (1756), Da Capacidade de sentir o Belo nas Obras de Arte (1762) e História da Arte entre os Antigos (1764), que exerceram influência, apesar do excesso de erudição e de teoria filosófica lhe ter prejudicado a sensibilidade e intuição indispensáveis à boa crítica de arte.


Segundo a estética neoclássica ou acadêmica, existe o Belo, ideal, absoluto e eterno, o mesmo para todos os seres humanos e todas as épocas, cujas qualidades fundamentais são a simplicidade e a universalidade. Esse Belo, praticamente inatingível, não está na natureza, mas no espírito do homem. Os artistas que mais se aproximaram de suas formas foram os gregos do período neoclássico e, mais tarde, os renascentistas italianos, porque se haviam inspirado justamente nos gregos antigos. A Perfeição, dizia Winckelmann, desconhecida dos contemporâneos, fôra uma dádiva da Grécia à humanidade. Desse modo, para um artista aproximar-se ou mesmo atingir a beleza ideal, absoluta e eterna, não deverá inspirar-se na natureza imperfeita, mas imitar ou se orientar pelas obras dos gregos clássicos e dos renascentistas italianos.
A imitação dos gregos clássicos ou dos renascentistas italianos somente se torna eficaz mediante laborioso aprendizado, constituído da cuidadosa aplicação de convenções, expressivas e técnicas, extraídas de suas obras e adotadas no ensino das academias de arte oficiais. Como são as mesmas uniformemente adotadas por toda a parte, as convenções técnicas e expressivas do neoclassicismo, ou academismo, impedem, dificultam ou desvirtuam, a afirmação das peculiaridades individuais e nacionais do artista. O neoclássico ou academismo caracteriza-se, em conseqüência, pelo convencionalismo. Trata-se, em última análise, de arte dirigida, Dirigida não por prescrições religiosas, como acontecera nas artes do Egito antigo e da Bizâncio Medieval, ambas reflexos da mentalidade mística e mágica dominantes entre aqueles povos, mas por prescrições estéticas, reflexo da mentalidade racional e científica dos tempos modernos.
Em virtude da ausência de originais da pintura clássica dos gregos, os pintores se inspiraram na estatuária clássica grega e, sobretudo, nos mestres do renascentismo italiano, de modo especial em Rafael, pelo equilíbrio da composição, harmonia do colorido e idealização da realidade, qualidade comuns nas suas obras e consideradas por excelência clássicas.
Tanto na escultura como na pintura, o neoclassicismo ou academismo estabelecia também convenções em relação aos temas a serem representados pelos artistas. Os temas recomendados são geralmente os da mitologia grega e da história da Grécia e de Roma antigas, idealizadas ou sob sentimentos grandiloqüentes e heróicos, conforme o caso. O tratamento dado aos temas históricos contemporâneos, inclusive os retratos, obedecem à mesma orientação. Os temas prosaicos do cotidiano, despidos do prestígio do passado e pouco suscetíveis à idealização, foram praticamente excluídos.
Jacques Louis David destaca-se na fase neoclássica. Nascido em Paris, em 1748, morreu em 1825, exilado em Bruxelas por seu passado revolucionário e Bonapartista. Pintor da Revolução, deputado à Convenção, tendo mesmo votado pela morte de Luís XVI, atitude jamais perdoada pelos monarquistas, acabaria transformando-se no pintor oficial do Império napoleônico. É sem favor, a figura dominadora da pintura neoclássica, que lançara no Salão de Paris de 1785 com O Juramento dos Horácios e cujos princípios defenderia com intransigência. Apesar da fidelidade aos preceitos do neoclassicismo, mostra-se vigorosamente pessoal como retratista. Criou belas imagens humanas, pela segurança da técnica e força da expressão.


Começara a estudar com François Boucher (1703-1771), o mesmo decorador rococó, e em seguida, com Joseph Marie Vien (1716-1809), um dos primeiros neoclássicos franceses, ao mesmo tempo que se matriculava na Academia Real de Pintura e Escultura. Em 1774, com Antíoco e Estratonice, ganha o prêmio acadêmico de viagem a Roma. Na época, Roma era considerada centro de Arte, cujo conhecimento se tornava indispensável à formação de qualquer artista. O prêmio de Roma consagrava e, por isso mesmo, era o mais ambicionado entre os jovens.
Uma vez na capital italiana, liberta-se das influências rococós que havia recebido de Boucher. Adota os princípios neoclássicos, bastante divulgados pelos livros de Winckelmann. Em 1785 apresenta no Salão de Paris O Juramento dos Horácios (1780-17840, pintado em Roma, Evocando o episódio da história romana, o quadro inspira-se nos baixos-relevos antigos, especialmente nos helenísticos. Dado o ambiente pré-revolucionário parisiense, onde sopravam as idéias republicanas, a obra obtém enorme sucesso, sobretudo pelo tema - cidadãos que juravam morrer pela liberdade da pátria republicana. O Juramento valeu como manifesto da nova estética, deu notoriedade ao autor e conferiu-lhe desde logo, o título de chefe da pintura neoclássica.
Com o advento da Revolução, amigo dos revolucionários Marat e Robespierre, participa dos acontecimentos. Elege-se deputado à Convenção, quando vota pela morte de Luís XVI e transforma a Academia Real de Pintura e Escultura, órgão do velho regime, na Comuna das Artes (1793), órgão do novo regime. É o assessor de belas artes do governo revolucionário. Organiza o Museu Central de Arte, mais tarde Museu do Louvre, as cerimônias e festas populares da Revolução. Também pinta os acontecimentos com realismo dramático - O Juramento do Jogo da Péla (1791) e as mortes de Lepletier de Saint-Fargeau (1793), de Joseph Bara (1794) e de Marat (1793). Pouco depois, com a queda dos amigos, afasta-se temporariamente da vida política, quando pinta O Rapto das Sabinas (1799) uma de suas telas mais conhecidas e marcadamente neoclássica, inclusive pela composição, que se desenvolve horizontalmente, como os frisos escultórios antigos.
Quando Napoleão assume o poder como imperador, torna-se o pintor oficial do Império. O imperador, que o admirava, encomendou-lhe quatro grandes composições, alusivas aos fatos imperiais e destinadas à sala do trono. Executou apenas as duas primeiras - A Coroação ou Le Sacre (1805), hoje no museu do Louvre, e A Distribuição das Águias (1810), hoje no museu de Versailles. Depois da derrota definitiva de Napoleão em Waterloo e a volta ao trono de Luís XVII, não pôde permanecer no país. Exilou-se em Bruxelas, onde ainda viveria dez anos.

Os pintores
Pintores neoclássicos Franceses:
Jean Antoine Gros, le Baron Gros (1771-1835)
Jean Dominique Ingres (1780-1867)
François Gerard, le baron Gerard (1770-1837)
Pierre Narcise Guérin (1774-1833)
Pierre Pru'hon (1758-1821)

Pintores neoclássicos Italianos:
Filippo Agricola (1776-1857)
Pietro Benvenuti (1769-1874)
Andrea Appiani , o Velho (1754-1817)


Pintores neoclássicos Ingleses:
John Martin (1789-1854)
Benjamin Haydon (1786-1846)
Pintores neoclássicos Alemães:
Antonio Rafael Mengs (1728-1779)
Angélica Kauffmann (1741- 1807)
Friderich Heinrich Fueger (1751-1818)
Asmus Jacob Carstens (1754-1798)
Johann Heinrich W. Tischbein(1751-1829)
Josef Antonio Koch (1768-1839)

Pintores neoclássicos Espanhóis:
Vicente Lopez (1772-1850)
José de Madrazzo (1781-1859)
José Aparício (1773-1838)
Juan Antonio Ribeira (1779-1860)

Pintores neoclássicos Russos:
Dimitri Levitski (1735-1822)
 Vladmir Borovikovski (1758-1826)

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