| O RESGATE DO FUTEBOL AMADOR NO MUNICÍPIO DE SOMBRIO | |
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MÁRCIO JOEL NUNES CAPITULO II 2.1. A Revolução de 30 em Santa Catarina Havendo irrompido a 3 de outubro de 1930 a Revolução em quase todo o território nacional e havendo o governo de Santa Catarina ficado fiel ao governo de Washington Luís, foi o seu território invadido por forças compostas por elementos do Exército e brigadas do Rio Grande do Sul. A invasão em direção a capital Florianópolis se fez por três caminhos: pelo litoral, pelo Vale do Rio do Peixe e vinda do Planalto Norte, já que também o estado vizinho do Paraná havia aderido a Revolução. Uma divisão comandada pelo general Ptolomeu de Assis Brasil entrou pelo município de Araranguá sem encontrar nenhuma resistência, até tomar posição em São José. Durante a invasão, o governador Fúlvio Aducci procurou contornar a situação, recebendo o apoio de voluntários para defender a capital. Mas a população, em pânico, se retirava para o interior da ilha (SANTOS, 1995). A estruturação revolucionária no planalto catarinense esteve intimamente relacionada com a atuação do Cel. Aristiliano Laureano Ramos. É sob a chefia deste latifundiário pecuarista que vão tomar o rumo do litoral as forças revolucionárias, até encontrar-se com as advindas do Rio Grande do Sul. O maior volume de forças revolucionárias que ingressou em Santa Catarina o fez pela estrada de ferro São Paulo - Rio Grande, no Vale do Rio do Peixe. Foi também o comando percorrido por Getúlio Vargas em demanda a capital da República. 2.2. Os interventores em Santa Catarina Após a instalação do governo revolucionário na capital teve início a substituição dos prefeitos municipais, de delegados de polícia, além de outros setores da administração pública. O general Assis Brasil aplicou uma política de conciliação no Estado, mas renunciou ao governo de Santa Catarina em 1932, alegando problemas de saúde e motivos particulares (SANTOS: 1995). Os problemas estavam ligados também ao fato de ter governado à margem dos políticos catarinenses, em especial das lideranças que conduziram a Aliança Liberal até a revolução. Isto provocou restrições ao seu nome e falsas interpretações de seus atos. O novo interventor que sucedeu Assis Brasil foi o major Rui Zobaram, procedendo algumas modificações nos quadros político-administrativos. Entretanto, tal nomeação mais uma vez mexeu com os brios dos políticos catarinenses por se sentirem marginalizados diante da escolha de mais um interventor gaúcho. A permanência de Zobaram na administração de Santa Catarina foi rápida. Foi substituído na interventoria pelo catarinense Aristiliano Ramos, fazendo crescer, apesar de tudo, a luta interna entre os líderes políticos que emergiram a partir da revolução. Em 1934, surge a Ação Integralista Brasileira, que em Santa Catarina se desenvolve principalmente nas regiões de colonização européia, não portuguesa. Neste mesmo ano, são realizadas eleições para composição da Assembléia Legislativa Estadual e para governador. A Constituinte Estadual estaria encarregada de eleger o governador, o que aconteceu em março de 1935. As candidaturas de Nereu Ramos e Aristiliano Ramos geraram uma divisão de forças dentro do Partido Liberal, Nereu Ramos foi eleito governador. 2.3. O governo e a interventoria de Nereu Ramos De larga experiência política, foi eleito governador em 1935, mas face ao golpe de 1937, dado pelo próprio Vargas, foi nomeado interventor, permanecendo no cargo até 1945. Chegou a presidência da República em 1955, por estar ocupando o cargo de vice-presidente do Senado. A administração de Nereu Ramos como interventor teve duas temáticas principais: a educação primária e a saúde pública. Ampliou no setor educacional a rede estadual de ensino; quanto a saúde, reorganizou todo o sistema a partir da criação do Departamento Estadual de Saúde Pública, atingindo todos os municípios catarinenses, além de construir a 'Colônia Santa Teresa' para hansenianos e a 'Colônia Sant'Ana' para doentes mentais. Promoveu também o processo de nacionalização do ensino, com a extinção das escolas criadas pelas comunidades imigrantes. 2.4. Resultantes sociais e culturais Não se pode afirmar, dentro da perspectiva histórica, que a Revolução de 30 terminou no momento em que Getúlio Vargas assumiu o governo provisório da República. As resultantes da revolução são as mais variadas. Em Santa Catarina, podemos destacar a dificuldade de estruturação dos elementos de apoio a Vargas pela posição divergente entre os chefes da Aliança Liberal. Um dos pontos de honra da Aliança Liberal na sua pregação pelo Brasil era a extinção das oligarquias estaduais. Quanto a Santa Catarina, não houve a extinção das oligarquias locais, pelo contrário, se acrescentou mais um rol nas oligarquias já existentes. No campo político-administrativo, o Estado apresentou um caso particular. Na chamada República Velha, despontaram figuras catarinenses no cenário nacional ocupando Ministérios, como foi o caso de Lauro Muller. Após 1930, poucas vezes isso aconteceu. O fato talvez seja explicado porque no início, logo após a revolução, Santa Catarina estivesse subjugada aos interesses gaúchos, sendo afastados dos centros de decisão do governo federal. Em segundo lugar, a divisão entre os chefes aliancistas, como já vimos. Nos aspectos sócio-econômicos, podemos mencionar o grande fluxo colonizador proveniente do Rio Grande do Sul e que se localizou no médio e extremo Oeste de Santa Catarina. No campo cultural, a Revolução de 30 desarticulou a vida intelectual da capital, com o êxodo dos intelectuais para outros cantos do país. 2.5. A Segunda Guerra Mundial e seus reflexos econômicos e sociais A Guerra de 1939 a 1945 criou vários impactos na economia catarinense. Um deles foi o fechamento do comércio com a Alemanha, que era bastante expressivo. A interrupção na compra de matérias-primas e máquinas prejudicou o desenvolvimento do parque industrial. Surgiu, entretanto, uma outra importante atividade industrial, a do fabrico de 'pasta mecânica', produto utilizado na celulose. A exploração do carvão mineral também atinge um bom desenvolvimento. O carvão e a madeira representavam 34,15% do valor global da exportação catarinense por volta de 1943. Os métodos tradicionais mantidos por Santa Catarina, em todos os campos de produção, após a Segunda Guerra, não se coadunavam mais com os avanços tecnológicos que se processavam em outros países. Dessa forma, o grau de desenvolvimento da economia catarinense foi pequeno na década de 50. A educação foi o setor social que mais sofreu reflexos com a guerra. Havia várias escolas nas comunidades de imigrantes, organizadas e administradas por estes de acordo com sua língua e tradição. Face a este problema, o interventor Nereu Ramos sancionou decretos que permitiram maior eficiência na nacionalização do ensino. Passaram a ser proibidos nomes estrangeiros nas escolas e o não funcionamento de escolas particulares sem a devida licença do Estado. Ocorreu assim, nas áreas de colonização o fechamento das escolas particulares, que foram substituídas por escolas públicas, provocando a insatisfação nas populações. 2.6. A redemocratização do Estado Em 1945, um movimento apoiado por políticos e militares provocou a queda de Getúlio Vargas. Com ele caíram os interventores nos Estados e Santa Catarina assistiu a queda de Nereu Ramos e a nomeação de Luís Gallotti, também catarinense, que promoveu um clima de tranquilidade para a eleição realizada em todo território nacional no dia 2 de dezembro de 1945. Em Santa Catarina, o Partido Social Democrático (PSD), liderado por Nereu Ramos, foi derrotado somente no Vale do Itajaí pela União Democrática Nacional (UDN), comandada por Adolfo Konder. De 1945 a 1947, o engenheiro Udo Deeke foi nomeado interventor até a realização da eleição para governador, em 1947, quando o eleito foi Aderbal Ramos da Silva, do PSD. Até 1964, ano do golpe militar, passaram pela governadoria Irineu Bornhausen, Jorge Lacerda, Heriberto Hulse, Celso Ramos e Ivo Silveira. |
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