|

Histórico
A Colonização
do Município de Jacinto Machado
No extremo sul de Santa Catarina, a colonização luso-brasileira iniciou a partir
da fundação de Laguna, em 1712 por pessoas vindas da vila de São Vicente,
acompanhados por escravos índios e negros. Antes deles, padres jesuítas haviam
tentado estabelecer missões religiosas com o objetivo de converter os índios
Carijó, povo de língua Tupi-Guarani que habitava todo o litoral sul do Brasil,
até as proximidades de Porto Alegre. Esta tentativa não deu certo devido aos
ataques dos escravizadores de índios, que vinham das vilas de São Vicente e do
Rio de Janeiro capturá-los para servirem de mão-de-obra nas plantações.
Até a segunda metade do século XVIII, pouquíssimos posseiros viviam na região
situada ao sul de Laguna. Estes poucos moradores eram provavelmente famílias que
viviam isoladas, próximas ao litoral, sobrevivendo da caça, da pesca e de
pequenas plantações de mandioca e milho.
A partir de 1750 esta situação, muito lentamente, começa a mudar, com a chegada
de imigrantes originários das ilhas dos Açores e Madeira, trazidos pela coroa
portuguesa para colonizarem as áreas desocupadas existentes ao sul de São
Francisco do Sul. Com o aumento de população provocado pela chegada destes
imigrantes açorianos, as vilas de São Francisco do Sul, Desterro e Laguna se
desenvolverão, surgindo ainda núcleos de povoamento no sul que, a partir de
Laguna, darão origem aos atuais municípios de Imaruí, Imbituba, Tubarão,
Jaguaruna e Araranguá. Os açorianos foram os responsáveis pela introdução dos
engenhos de farinha de mandioca, cuja produção passou a ser exportada para as
outras províncias brasileiras.
Porém, devido ao abandono em que foram deixadas pela coroa portuguesa, muitas
comunidades de descendentes açorianos não conseguiram se desenvolver
economicamente. Estas comunidades também acabariam por assumir uma economia de
subsistência baseada na pesca, na caça e na produção familiar de milho e
mandioca. Na região do extremo sul catarinense, núcleos de famílias, nesta
época, começam a se instalar próximas ao litoral, em locais que mais tarde farão
parte dos municípios de Araranguá e Sombrio.
Esta situação continuará com poucas mudanças até o final do século XIX, quando,
com a chegada de imigrantes europeus, principalmente italianos, alemães e
poloneses, novos núcleos de colonização começariam a ser fundados.
Os primeiros imigrantes a se instalar na região sul de Santa Catarina foram
italianos, com a fundação de Azambuja, em 1875, e Urussanga, em 1878, seguido
pelos núcleos de Criciúma, Cocal, Nova Veneza entre outros. Imigrantes de
descendência alemã, originários principalmente da colônia Teresópolis, fundada
em 1860 e situada próxima a Desterro, atual Florianópolis, participaram da
fundação de Braço do Norte, São Ludgero, Orleans e Forquilhinha, a partir de
onde terminaram por se instalar em Jacinto Machado, já no século XX.
O município foi colonizado também por poloneses, isto depois da chegada dos
portugueses. A respeito da etnia polonesa, Jacinto Machado é cadastrada
nacionalmente como colônia polonesa e nesse ano de 2004 recebeu uma comitiva de
poloneses que vieram ao Brasil numa missão de intercâmbio entre Brasil/Polônia.
Em 2005, outra comitiva está se programando para nos visitar e o roteiro já está
elaborado, com atrações e surpresas diferentes das deste ano. Brasileiros
descendentes de poloneses e autoridades que receberam a comitiva européia aqui,
também estão se programando para retribuir a vista ainda este ano. Esses
brasileiros pretendem viajar à Europa no segundo semestre de 2004, antes que o
riforoso inverno polonês começe.
Imigrantes de origem polonesa originalmente formaram núcleos nos municípios de
Criciúma, Içara e Morro da Fumaça no final do século XIX, posteriormente, já no
século XX, se instalando na região do Extremo Sul Catarinense.
Ocupação Humana de Jacinto Machado
Os Xokleng no Extremo Sul de Santa Catarina
A região onde hoje está situado o município de Jacinto Machado fazia parte,
antes do início da colonização luso-brasileira e européia, do território dos
índios Xokleng. Este grupo indígena também ficou conhecido, nesta região, pelos
nomes de Bugres e Botocudos, nomes estes dados a eles pelos colonizadores.
Os Xokleng habitavam, no Estado de Santa Catarina, todo o território coberto por
Mata Atlântica situado entre o litoral e o planalto, desde o sul do Paraná até
depois da divisa com o Rio Grande do Sul. Também ocupavam partes do Planalto, na
região dos pinhais.
Eram nômades, vivendo sempre em deslocamento, em busca de caça e de frutas e
mel, de que dependiam para a alimentação. Durante os meses de primavera e verão,
se deslocavam nas áreas mais baixas, cobertas de Mata Atlântica, onde as frutas
estavam maduras e os animais eram encontrados com maior facilidade, por causa da
maior quantidade de comida. Ali caçavam antas, veados, porcos do mato, macacos e
diversas espécies de aves. Durante os meses de outono e inverno, subiam para o
Planalto, onde começavam a frutificar os pinheiros, que eram muito importantes
para a sua alimentação, além de também atraírem animais como porcos do mato,
pacas, cutias, macacos e aves, que também eram caçados.
Para a caça e para a defesa, usavam arcos, flechas com pontas de madeira ou de
ferro, tacapes de madeira e lanças com pontas de ferro. É possível que antes do
contato com o branco, usassem pontas lascadas em pedra. Porém, a partir do
contato, começaram a usar, para fazer estes objetos, ferro conseguido nos
ataques que faziam aos europeus que começavam a ocupar seu território.
Usavam ainda diversos tipos de cestos, feitos de lâminas de taquara, para
carregar pinhão, transportar objetos e para servir a comida. Também tinham
cestos impermeabilizados com cera de abelha para carregar água e mel.
Seus abrigos eram simples, em meia-água, construídos para passar pouco tempo em
um mesmo local. Construíam abrigos maiores, em forma de cabana, apenas durante
determinadas festas, quando ficavam mais tempo em um mesmo acampamento.
A partir do século XIX começaram a entrar em contato com as frentes de
colonização européias que começavam a se instalar no estado de Santa Catarina,
principalmente no Vale do Itajaí, nas proximidades de Florianópolis e na região
de Azambuja e Urussanga.
Este contato, que no início parecia ser pacífico, terminou por se tornar
violento, com os Xokleng atacando os colonos e estes, organizando ataques que
acabavam com aldeias inteiras. É nesta época que aparecem os bugreiros,
matadores profissionais de índios, que recebiam pagamento dos colonos ou do
governo do estado para exterminar as aldeias existentes na região em que estavam
instaladas as colônias.
Devido a esta perseguição implacável, os Xokleng acabaram por ser todos mortos.
Os três últimos índios desta tribo foram contatados em 1952, em Orleans. Eram
uma família, formada por dois velhos e um rapaz. Pouco tempo depois de entrarem
em contato com os brancos, os velhos morreram de gripe.
|
|